Assinatura RSS

Moças de Antigamente 3 [baú de família]

Publicado em
Moças de Antigamente 3 [baú de família]

Moças de Antigamente 2 [baú de família]

Publicado em
Moças de Antigamente 2 [baú de família]

Moças de antigamente [baú de família]

Publicado em
Moças de antigamente [baú de família]

para entender

Publicado em

Não me dói mais, mas causa certo espanto que não compreendam quando alguém precisa tirar um tempo para si sem que se sinta obrigado a noticiar tal fato a fim de evitar o risco de ser acusado de ter “abandonado os amigos” ou ser sentenciado a egoísta do ano.  Venho refletindo muito sobre os meus últimos meses. Precisei mesmo ‘sumir’. Precisei, pude e assim o fiz. Não me arrependo. Se hoje muita coisa ainda me machuca só por ensaiar chegar perto, há tempos eu sequer conseguia permanecer inteira, sem me desfazer numa visível hemorragia.

Sempre fui forte. Não sabia que o era. Sempre me disseram forte, mas eu nunca acreditei. Eu era aquela pessoa que estava ali ao lado dos outros, segurando a mão, dormindo ao lado nas piores noites, limpando o vômito, escondendo a navalha pra evitar um mal maior. Nunca acreditei que amizade fosse moeda de troca: eu te dei, agora quero de volta. Mas quando gostamos muito de algumas pessoas, a ponto de cuidar delas como se cuidássemos de um filho que ainda não temos. A ponto de nos preocuparmos e tentarmos ajudar, aconselhar… Por vezes, pensar antes neles que em nós mesmos. Não fazemos isso pra receber em troca, mas em algumas horas nos pegamos pensando “Se um dia eu passar por isso, espero ter alguém que me ajude assim”. Acho natural pensar assim. Acho natural querer ser cuidada também. Não como retribuição, mas como demonstração de carinho, de preocupação, e por que não de amizade.

Mas quando as pessoas mais próximas, aquelas com as quais você já chorou, já tomou porres, já deu e levou esporros, já ajudou a levantar das quedas, já se jogou no chão junto pra tentar entender a sua dor… Se essas pessoas aparentam não se importar com você. Não porque você tentou suicídio, ou porque você ameaçou fugir de casa, ou tomou um frasco de comprimidos e saiu ligando pra agenda do telefone a fim de se despedir, mas simplesmente porque você estava tão perdida, tão desamparada e TRISTE que preferiu se trancar no quarto e ficar por lá, por dias, semanas, meses (você nunca sabe ao certo quanto tempo levará para conseguir se levantar). Quando você não tem respostas para dar, não conseguia falar sobre seu estado, entra em pânico de imaginar alguém perguntando como você está ou o que tem feito, muito menos consegue pensar em ser uma companhia risonha numa mesa de bar ou num show qualquer. Você apenas NÃO CONSEGUE ESTAR. Quando você precisava de outro tipo de ajuda, além daquela de sair pra beber e conhecer gente no sábado à noite. Como fazer isso estando aos pedaços? Tendo que recolher, reconhecer e agrupar cada uma de suas partes, silenciosamente, para dar formato (outro) a um ser humano e poder, uma hora dessas, abrir a porta e dizer ‘Bom dia’, sem lágrimas nos olhos, sem a cara inchada, sem o cabelo em desordem e imundo? Espera-se que se não compreendam, ao menos respeitem o momento. Percebam que algo está errado ou fora do habitual e perguntem, ofereçam ajuda, mesmo que nada possam fazer. Nem que seja pra você saber que, se precisar, poderá contar com aquele amigo .

Se antes eu questionava o sentido de amor quando usado por pessoas que demonstram superficialidade até ao falar de si, agora me vejo reavaliando o termo AMIZADE. Um e-mail enviado por uma amiga – a que esteve junto de mim nesses últimos meses – li que existem diferentes “tipos” de amigos para diversas circunstancias: amigos para rir junto, outros para fazer compras e ter dicas de beleza, amigos pra ir à balada, outros pra estudar junto, amigos pra te dar bronca quando você precisa e outros que sabem apenas te ouvir quando é TUDO que você precisa. Pensei muito nisso e percebi que eu estava esperando apoio excessivo de uma amiga boa pra sair, beber, ouvir o que ELA tem pra contar, fazer compras e estar alegre. Quando não me sinto alegre e não estou disposta ou disponível ao entretenimento, essa amiga não se abala, liga para o próximo da lista e vai para o divertimento que deseja, com quem quiser acompanhá-la. Não liga muito em pensar que, se você não aceitou o convite, deve estar um pouco (ou muito) pra baixo, sem grana, com algum problema e que precisa conversar, ou apenas ficar quieta. Ela SEMPRE foi assim e eu nunca me neguei a enxergar. Não a condeno ou critico, é seu jeito de ser. Assim como o meu é ser quieta, retraída, animada em poucas ocasiões, com poucas pessoas, quando estou à vontade. Nunca quis esperar de alguém o que vai contra a sua natureza. É o mesmo que esperar que seu gato de estimação te receba em casa abanando o rabo, que lamba suas mãos e rosto, pule em você e comece a latir. Então porque mesmo assim esse incômodo com o fato desta amiga não ter nunca perguntado qual o problema que me faz estar longe de praticamente tudo e todos nos últimos meses?

Tenho um problema sério, que muitas vezes me deixa em situações complicadas: não consigo julgar os outros facilmente, muito menos condenar. Fico sempre me pondo no lugar, tentando entender e aceitar as razões ou motivações que levaram tal pessoa a agir de tal forma em tal situação. Me coloco no lugar de criminosos, tento entender o que se passou dentro de gente que cometeu um crime bárbaro, porque eu não sei quando posso me ver surpreendendo alguém com uma atitude absurda. Compreendo o ser humano como algo tão múltiplo de possibilidade, benéficas e não. SER HUMANO é ser tanta coisa. Não apenas ter HUMANIDADE (compaixão) para com quem dela necessita. Dentro do ser humano existe também o ser que odeia, despreza, MATA, fere por vontade, magoa por prazer. Acredito mesmo que isso tudo esteja dentro de mim e embora eu não me acredite cometendo boa parte das atitudes horrendas que me chocam, sei que as habilidades para cometê-las estão guardadas aqui, em algum lugar, e não sei ao certo o que poderá trazê-las a superfície dos meus atos cotidianos. Portanto respeito até mesmo as incoerências das pessoas, até mesmo quando essas me machucam, me fazem querer cortar laços, não me permitam conseguir continuar com o convívio, mesmo assim eu entendo. Entender não significa querer ou conseguir lidar com a situação. Você pode entender que seu namorado é compulsivo sexual e que por isso ele vai transar com todas as mulheres que puder, mesmo que te ame. Mas quere lidar com isso e continuar com ele apesar de tudo é outra história. Amor não segura todas as barras, não mesmo. Nós queremos muito acreditar nisso, pra nos sentirmos seguros, mas não acontece. Então pode ser que essa tal ‘amizade’ também não segure. Eu já abri mão do convívio com pessoas amigas por perceber que não conseguia lidar com falhas de caráter e por sentir que se quisesse ajudá-las a perceber tais falhas seria eternamente vista como “a amiga chata que não te deixa ser como é”. Oras, o que eu mais respeito é o direito de cada um ser como bem entender. Mas se o jeito de ser de alguém me ofende, me magoa, eu posso permitir que essa pessoas continue sendo e me afastar de seu convívio. Assim ninguém tolherá ninguém e todos poderão se sentir bem sendo o que realmente são.

Será que foi isso que fizeram comigo? Se eu souber ou compreender que foi, conseguirei seguir com a alma apaziguada.

Não deixarei que me façam sentir culpada por ter pensado exclusivamente em mim nos últimos meses. Eu sei que era tudo que podia fazer por mim. Era a única pessoa que tinha por obrigação me por em primeiro plano, e o fiz. Nada do que escrevi aqui está no intuito de criticar qualquer atitude. Trata-se apenas da minha necessidade de entender.

e é o dia da poesia (alguém sabia?)

Publicado em

Fazer poesia aqui hoje seria olhar pras coisas bem pequeninas, as mínimas coisinhas que muitos de nós esmagamos com os pés, com o olhar, com a falta de tempo.

Poesia hoje aqui é a formiga q carrega o dobro do seu próprio peso nas costas, e o faz por puro automatismo, ela não pensa em ser feliz o tempo todo, nem deve acreditar que precisa disso pra continuar carregando coisas junto com as outras formigas. Ela cuida de sua sobrevivência, trabalha isoladamente e em conjunto para alimentar sua necessidade. Sem mais.

Poesia agora seria o reflexo de algo indizível através da gota de orvalho numa folha verde. Nada vale, dinheiro nenhum pagaria por isso, pois é poesia, inútil como toda poesia, desnecessária como qualquer verso.

Poesia está sendo a lembrança da pessoa amada, mesmo distante e perdida pra sempre, pra sempre amada. Na certeza terrível de que nada te fará igual ao que era antes de amar.

Poesia é o meu silêncio que não se entende, que não se busca saber, que precisa de si pra virar adubo e dele próprio gerar algo. Só pra continuar amando. Continuar amando. Poesia. Ambos dispensáveis. Ambos inevitáveis.

Pequena lista de ínfimas poesias:

o desenho da asa de uma libélula

a lua branca das unhas de nossas mãos

unhas de gato

o tom aroseado de algumas bochechas

dente de leite na palma da mão

a luz do sol numa parece branca

trepadeiras

cheiro de café

Hello world!

Publicado em

Welcome to WordPress.com. This is your first post. Edit or delete it and start blogging!